04 Dicas de como manter o autocontrole dos alunos na sala de aula

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Quais responsabilidades e deveres do Professor e do Aluno?

Aprenda a controlar a violência entre alunos e professores e ajude a fazer da sala de aula um lugar de paz e aprendizado.

04 Dicas de como manter o autocontrole dos alunos na sala de aula

04 Dicas de como manter o autocontrole dos alunos na sala de aula

Manchetes de notícias recentes:


Descontrole emocional:

“Descontrolado: aluno desrespeita professor, agride colega de classe e causa tumulto em escola”…


Violência em sala de aula:

“Aluno joga cadeira na cabeça de colega dentro da sala de aula: descontrolado, o aluno do curso de direito jogou uma cadeira na cabeça de uma colega de sala que tentava apartar uma briga, outro estudante também foi agredido”…


Desrespeito:

“Aluno discorda de anotações de professora e a agride[1]: o aluno admitiu que errou ao pegar o diário de classe e apagar as notas dos trabalhos, mas alegou ter sido agredido pela professora. Nas cenas, ele ficou descontrolado e precisou ser contido pelos colegas.

O advogado da família diz que “o aluno está abalado e que estão sendo estudadas possibilidades de entrar com processo judicial contra a professora e contra a escola”. A professora não quis comentar o caso”…



À beira do caos, estas notícias expõem o nervo da questão da violência escolar vivenciada também por alunos, mas, essencialmente, por professores: agressões verbais, físicas, assédios, ataques ao patrimônio pessoal, etc.


“No momento onde todos estavam gritando e se jogando papel um no outro, gritei mais alto que eles, sem controle”, dirão alguns.


“Fico irritada quando explico, faço exercícios, tiro as dúvidas, faço revisão, até extrapolo o número de aulas para um determinado conteúdo e eles não vão bem nos testes individuais. Dou uma bronca, mas retomo o conteúdo”, outros dirão.


Tudo estava planejado: de repente um tumulto, uma agitação.

Em segundos, eles se dispersam de um lado para o outro, falando alto. Que desespero!

Você pede a atenção de todos, mas o barulho é tamanho que ninguém escuta a sua voz pedindo silêncio. O que fazer? Gritar também? Sair correndo? Sentar e chorar?

O que fazer? Gritar também? Sair correndo? Sentar e chorar?

O que fazer? Gritar também? Sair correndo? Sentar e chorar?

“O contexto da sociedade atual, em crise, onde a transferência de responsabilidades da família para a escola, na educação e socialização das crianças e jovens, reflete-se de várias formas no mundo educacional. Tal situação acarreta no ambiente escolar conflitos que envolvem professores, alunos e seus pais além do corpo de profissionais da educação. O professor, assim, não controla a direção do seu trabalho, nem escolhe as condições em que ele se processa”…


De acordo com Lapo e Bueno (2003) as relações não priorizam a solidariedade e não valorizam o trabalho realizado, geram sentimentos de raiva e medo, baixa autoestima e frustração, e os professores assumem “[…] posturas defensivas que podem ir desde comportamentos agressivos, críticas excessivas até o distanciamento do ambiente, restringindo o convívio ao mínimo possível”, suportável. (LAPO; BUENO, 2003, p. 78).


O que fazer? Como manter o autocontrole dos alunos na sala de aula?

PASSO 1 – ACEITE O CAOS, ADOTE ESTRATÉGIAS DE GERENCIAMENTO

O primeiro passo é reconhecer o “não poder”, o “não domínio” sobre as instâncias da vida, especialmente as que se desenvolvem sobre a dinâmica das relações humanas interpessoais.

O primeiro passo é reconhecer o “não poder”, o “não domínio” sobre as instâncias da vida

O primeiro passo é reconhecer o “não poder”, o “não domínio” sobre as instâncias da vida

Não se controla pessoas. Convive-se com elas. Interage-se com elas. Mas não se domina pessoas.

Pelo menos é o que se espera que educadores pensem. Não se exerce poder de coesão via opressão, já disse Paulo Freire.


Classes, turmas, salas de aula, essencialmente pessoas, seres humanos, não são para serem controlados.



“A aplicação da Teoria do Caos se expandiu recentemente das ciências físicas e biológicas para a teoria organizacional. A Teoria do Caos enfoca o comportamento dos sistemas dinâmicos que são inerentemente instáveis. Esses não manifestam comportamentos fixos, preditíveis. Seu comportamento é mais exatamente não linear e aperiódico”, imprevisível.


Você pode ter um Plano de Aula descrito, planejado, minuto a minuto, mas existe uma variável que altera todo o resultado: pessoas.



Portanto, para conseguir uma classe “bem controlada”, na verdade, o que se quer dizer com isso é que se precisa de algumas estratégias de gerenciamento da imprevisibilidade da sala de aula. O que se quer, não é controle, mas estratégias para manter os alunos motivados, focados, centrados e prontos para aprender.


Aceite o “caos” da sua sala de aula. Levante-se, todo dia, para dar aulas com Planos de Ensino bem redigidos, mas com pessoas totalmente imprevisíveis. Ache sabor nisso!


PASSO 2 – EVITE O CONTÁGIO EMOCIONAL

“Evite o contágio emocional.”

Evite o contágio emocional

Evite o contágio emocional


Ele ocorre quando um determinado fato isolado, a princípio, desencadeia fortes emoções em um grupo. O filósofo e médico Henri Wallon (1879-1962) atribui significativa importância à reação coletiva no âmbito da Educação. Ele afirma que:


A emoção cria uma relação imediata entre os indivíduos, apontando para a união e para a cooperação (nos casos positivos) e para o conflito (nos negativos).


Portanto, podem ser produtivas ou improdutivas para um grupo de pessoas. Muitas vezes, por isso, “em casos de emoções descontroladas, a melhor solução é deixa-las fluir, em vez de tentar abafá-las”.

Por outro lado, hoje existem teorias como a de Goleman (1995) que afirma que é possível educar as emoções, assim como dominar as mesmas. O autor traz o conceito da inteligência emocional como sendo o maior responsável pelo sucesso ou insucesso na vida das pessoas, ele também tenta demonstrar que não só a razão influência nos nossos atos, mas, a emoção também tem grande poder sobre as pessoas.

Goleman (1995) mapeia a Inteligência Emocional em cinco áreas ou habilidades, capacidade de conhecer as emoções, de lidar com as emoções, de reconhecer as emoções nos outros e a capacidade de lidar com os relacionamentos, sendo que as mesmas habilidades se referem a Inteligência Intrapessoal e Interpessoal de Gardner (1995).


A Inteligência Interpessoal é a habilidade de entender outras pessoas, o que as motiva, como trabalham, como trabalhar cooperativamente com elas, e a Inteligência Intrapessoal é a mesma habilidade, só que voltada para si mesmo.


Podemos observar que Goleman denomina a Inteligência Emocional como a ação conjunta das Inteligências Inter e Intrapessoal de Gardner. Estes conceitos envolvem reconhecer as emoções nos outros, a empatia; é entender o sentimento da pessoa alheia, de saber como o outro se sente, saber se colocar no lugar do outro, mas para que isso aconteça devemos ter consciência de nossas próprias emoções.


Seja emocionalmente maduro e competente. Além disso, isole o conflito.

Seja emocionalmente maduro e competente. Além disso, isole o conflito.


E por fim, nos falam sobre a capacidade de lidar com relacionamentos, a qual é uma competência social, e são aptidões que reforçam a popularidade, a liderança. As pessoas emocionalmente competentes levam vantagem em qualquer coisa na vida, seja nas relações amorosas e intimas, seja assimilando as regras tácitas que governam o sucesso na política organizacional (1995, p. 48-49). E, podemos acrescentar, seja dando uma aula a um grupo de alunos.


Seja emocionalmente maduro e competente. Além disso, isole o conflito. Uma vez estabelecida a situação de descontrole emocional de alguém, impedir que o restante da turma entre na “onda”, tendo flexibilidade, (o famoso “jogo de cintura”), para acolher os que ficaram de fora e rapidamente reorganizar a classe, é uma competência admirável.


Depois de separar os envolvidos num descontrole emocional do resto do grupo, é importante esperar que eles se acalmem para depois conversar individualmente, incentivando-os a expor os próprios sentimentos e a refletir sobre os dos outros. Uma conversa com os dois juntos é essencial, assim como a discussão posterior com a turma toda reunida, mostrando que os conflitos acontecem (dentro ou fora da sala) e não devem ser encarados como algo anormal. Existe, porém, outra maneira de resolvê-los.


PASSO 3 – TENHA SEMPRE UM PLANO B

A falta de organização antecipada da aula e dos materiais, bem como a falta de um plano B para as situações imprevistas, quase sempre são os maiores motivos de tumulto. Os alunos se sentirão desorientados.

Tenha sempre um Plano B

Tenha sempre um Plano B

Se somar-se a esse quadro a inquietação do educador ser percebida pelos alunos e o nervosismo de um alimentar ao outro, está instalado o caos.


Ao propor uma atividade alternativa o educador mudará a atmosfera emocional, não apenas dos alunos, mas principalmente a dele, o que o ajudará a estabelecer novamente a calma e a reorganizar tudo.


Estar preparado para a sala de aula significa não só ter o planejamento em mãos, antecipando possíveis contratempos, mas também ter o ambiente arrumado com antecedência.

E nem tudo precisa ser resolvido pelo professor. Uma possibilidade é familiarizar os alunos com um espaço planejado para que eles tenham autonomia e atuem de maneira exploratória em qualquer situação, mesmo as não previstas ou combinadas.


PASSO 4 – TENHA ESTABELECIDO UM CONTRATO DE CONVIVÊNCIA

A sala de aula é um espaço privilegiado de convivência interpessoal, devendo ser um local harmonioso, pois a qualidade do processo de ensino-aprendizagem e da formação para a cidadania, depende da qualidade das relações estabelecidas neste espaço.

Estabeleça um contrato de convivência

Estabeleça um contrato de convivência

Neste sentido, alunos, docentes e gestores devem comprometer-se coletivamente, uns com os outros, a princípios de convivência, pacífica, respeitosa, ética e voltada para o coletivo.


Como por exemplo, o contrato abaixo, desenvolvido por um grupo de alunos e educadores de uma escola séria.

Detalhe óbvio, mas importante de ser ressaltado, o contrato foi construído coletivamente, numa dinâmica de grupo, com a participação de todos os alunos, representantes dos docentes e da direção da escola, e teve a adesão confirmada por assinatura e tudo, por todos os participantes. Se necessário, este contrato será relembrado.


O que é permitido para Aluno e Professores

Veja um exemplo das regras do que é permitido entre alunos e professores no contrato de convivência.

É permitido aos alunos e professores

É permitido aos alunos e professores

É PERMITIDO AOS ALUNOS

» Compartilharem entre si o aprendizado

» Ajudarem-se e interagirem entre si durante as aulas

» Trabalharem coletivamente em pequenos grupos

» Ajudarem o professor nas atividades pedagógicas

» Terem voz participativa

» Devolverem pertences encontrados de outras turmas/alunos

» Manterem o celular no modo vibra/silencioso

» Respeitarem e aceitarem as pessoas como são

» Tratarem a todos com igualdade

» Organizarem a sala e seus equipamentos, especialmente após o uso

» Fazerem registros/anotações durante as aulas

» Chegarem no horário, sendo pontuais

» Alterarem a temperatura do ar condicionado


É PERMITIDO AOS DOCENTES

» Serem pacientes para explicar e fazê-lo mais de uma vez se necessário

» Serem atenciosos com os alunos tratando-os de forma pessoal e individualizada

» Serem amigos dos alunos

» Serem conselheiros


É PERMITIDO À DIREÇÃO DA ESCOLA

» Informarem os alunos sobre oportunidades de outros estudos, palestras e atividades extraclasse

» Trazerem conteúdos inovadores, diferenciados e atualizados com o mercado


O que NÃO é permitido para Aluno e Professores

Veja um exemplo das regras do que NÃO é permitido entre alunos e professores no contrato de convivência.

O que não pode ser feito por alunos e professores

O que não pode ser feito por alunos e professores

NÃO É PERMITIDO AOS ALUNOS

» Faltarem com o respeito e ofenderem alguém na sala de aula

» Dormirem durante as aulas

» Ausentarem-se da aula sem qualquer tipo de aviso

» Ouvirem música utilizando aparelhos de som próprios e/ou fones de ouvido

» Sujarem ou desorganizarem o ambiente da sala de aula

» Utilizarem games/jogos em horário de aula

» Utilizarem redes sociais descontroladamente e sem pertinência com o tema da aula

» Conversarem paralelamente durante as explicações do professor

» Copiarem/plagiarem projetos de outras turmas/alunos


NÃO É PERMITIDO AOS DOCENTES

» Negarem-se a explicar o que não foi compreendido

» Perderem o controle da sala de aula, omitindo-se

» Serem mal-educados e grosseiros

» Favorecerem indiscriminadamente mais a alguns alunos do que outros


CONCLUSÃO

Obtido, mais que por mero e arbitrário controle, a saúde e qualidade das relações humanas, busca mútua de objetivos educacionais e convivência produtiva, não é uma utopia, se princípios básicos forem respeitados.


Autor do Post:

Claudio Donizete Barros Cláudio Donizetti de Barros – Docente e profissional da área de Tecnologia da Informação.

Cláudio Donizetti de Barros – donibarros@msn.com


Fontes:

LAPO, F. R.; BUENO, B. O. Professores: desencanto com a profissão e abandono o magistério. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, n. 118, p. 65-88, mar. 2003.

TIBA, Içami. Quem ama, educa! – São Paulo: Editora Gente, 2002

ANTUNES, Celso. Alfabetização Emocional: novas estratégias. Petrópolis, RJ: Vozes, 1999. ANTUNES, Celso. As Inteligências múltiplas e seus estímulos. Campinas, SP: Papirus, 1998.

GARDNER, Howard. Inteligências múltiplas: a teoria e a prática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

GOLEMAN, Daniel. Inteligência Emocional: a teoria revolucionária que define o que é ser inteligente. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995.

AQUINO, Júlio Groppa (organizador). Indisciplina na escola – Alternativas teóricas e práticas – São Paulo: Summus Editorial, 1996

ANTUNES, Celso. A disciplina em sala de aula – http://www.celsoantunes.com.br/pt/textos_exibir.php?tipo=TEXTOS&id=18esc_ato_inf.pdf

[1] https://www.youtube.com/watch?v=Pcsv0GQRayQ


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Posted in Educação.